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domingo, 18 de abril de 2010

Marisa Matias Fala Sobre a Iniciativa "O Clima Está Farto de Nós?"

Muitas pessoas se dizem fartos do clima. Eu nunca pertençi a esse grupo porque sinto que não podemos culpar o clima dos desastres ambientais. O clima tem uma vida própria e não é justo culpabilizá-lo por algo que só está nas nossas mãos alterar, mudando hábitos, melhorando soluções de estilo de vida, procurando dar ouvidos aos cientistas e cumprindo as orientações que nos vão sendo dadas ao longo dos anos.
O Clima está, de facto, farto de nós! E o nome para a iniciativa do Bloco de Esquerda, "O clima está farto de nós?", tema de vários eventos e debates importantes sobre as alterações climáticas e o que fazer, foi muito bem escolhido porque questiona-nos a todos nós.
Este tema e esta preocupação devia ser considerada por todos como uma questão socialmente muito importante.
Deixo o vídeo da entrevista à Eurodeputada Marisa Matias, do BE, que espero ouçam com bastante atenção e interesse.
JOÃO
ESQUERDA.NET | Entrevista | Marisa Matias
EsquerdaNet — 15 de abril de 2010 — No âmbito da iniciativa " O clima está farto de nós? " realizada pelo Bloco, o Esquerda.Net entrevistou Marisa Matias, deputada no Parlamento Europeu.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A Entrevista a Christophe de Dejours, "Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal"

A entrevista a Christophe de Dejours, "Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal", que vem na sua versão integral publicada no PÚBLICO, é digna de ser lida por todos e bem publicitada.
Eu sou uma vítima de assédio moral nos últimos anos no emprego, que tive durante 34 anos na Função Pública, ao ponto de, mais do que uma vez, pensar atirar-me de uma janela alta... Os meus últimos anos, no último Governo PSD/CDS foram os piores da minha vida, no emprego que eu tanto adorava! À direcção desse tempo e à direccão do Governo PS depois do anterior, eu devo um enfarte e uma depressão grave, sem forma de passar... Nunca me calei, nunca desisti, mas a saúde é que pagou!
Não deixes de ler a entrevista.
JOÃO

Entrevista a Christophe de Dejours
"Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal"
01.02.2010 - 10:14 Por Ana Gerschenfeld

Nos últimos anos, três ferramentas de gestão estiveram na base de uma transformação radical da maneira como trabalhamos: a avaliação individual do desempenho, a exigência de “qualidade total” e o outsourcing. O fenómeno gerou doenças mentais ligadas ao trabalho. Christophe Dejours, especialista na matéria, desmonta a espiral de solidão e de desespero que pode levar ao suicídio.

Psiquiatra, psicanalista e professor no Conservatoire National des Arts et Métiers, em Paris, Christophe Dejours dirige ali o Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Acção – uma das raras equipas no mundo que estuda a relação entre trabalho e doença mental. Esteve há dias em Lisboa, onde, de gravata amarela, cabeleira “à Beethoven” e olhos risonhos a espreitar por detrás de pequenos óculos de massa redondos, falou do sofrimento no trabalho. Não apenas do sofrimento enquanto gerador de patologias mentais ou de esgotamentos, mas sobretudo enquanto base para a realização pessoal. Não há “trabalho vivo” sem sofrimento, sem afecto, sem envolvimento pessoal, explicou. É o sofrimento que mobiliza a inteligência e guia a intuição no trabalho, que permite chegar à solução que se procura.

Claro que no outro extremo da escala, nas condições de injustiça ou de assédio que hoje em dia se vivem por vezes nas empresas, há um tipo de sofrimento no trabalho que conduz ao isolamento, ao desespero, à depressão. No seu último livro, publicado há uns meses em França e intitulado Suicide et Travail: Que Faire? , Dejours aborda especificamente a questão do suicídio no trabalho, que se tornou muito mediática com a vaga de suicídios que se verificou recentemente na France Télécom.

Depois da conferência, o médico e cientista falou com o P2 sobre as causas laborais desses gestos extremos, trágicos e irreversíveis. Mais geralmente, explicou-nos como a destruição pelos gestores dos elos sociais no trabalho nos fragiliza a todos perante a doença mental.

O suicídio ligado ao trabalho é um fenómeno novo?
O que é muito novo é a emergência de suicídios e de tentativas de suicídio no próprio local de trabalho. Apareceu em França há apenas 12, 13 anos. E não só em França – as primeiras investigações foram feitas na Bélgica, nas linhas de montagem de automóveis alemães. É um fenómeno que atinge todos os países ocidentais. O facto de as pessoas irem suicidar-se no local de trabalho tem obviamente um significado. É uma mensagem extremamente brutal, a pior do que se possa imaginar – mas não é uma chantagem, porque essas pessoas não ganham nada com o seu suicídio. É dirigida à comunidade de trabalho, aos colegas, ao chefe, aos subalternos, à empresa. Toda a questão reside em descodificar essa mensagem.

Afecta certas categorias de trabalhadores mais do que outras?
Na minha experiência, há suicídios em todas as categorias – nas linhas de montagem, entre os quadros superiores das telecomunicações, entre os bancários, nos trabalhadores dos serviços, nas actividades industriais, na agricultura.